Discos

Bom Soar

O segundo disco do Chora Genésio chama-se Bom Soar. E foi na procura de um bom soar, de um melhor soar, que o grupo decidiu alçar voos altos para buscar, mais ainda, a riqueza da diversidade cultural que marca o Choro desde seu surgimento.Capa do Bom Soar

Todos sabemos que o Choro é uma mistura da música europeia com a música africana feita em solo brasileiro e que essa mistura quando os portugueses chegaram nas Américas e se intensificou com a vinda da corte portuguesa para a capital do Brasil, em 1808. Ou seja, o Choro é uma mistura, um encontro de diversos idiomas e trejeitos que caminham bem juntos!

Inspirados e atraídos por essa mélange, o Chora Genésio fez sua primeira turnê europeia no intuito de incorporar outros sotaques ao seu choro. O disco Bom Soar é, sem dúvida, uma síntese dessa turnê que durou três meses e teve seu início no dia 26 de maio de 2015.

Ao longo dessa temporada, o grupo visitou oito cidades e três países: Holanda, Bélgica e França. Sendo este último o país no qual o grupo permaneceu por mais tempo e onde também fizeram parcerias que culminaram em participações especiais em duas faixas, quais sejam: Amoroso, de Anibal Augusto Sardinha, gravado juntamente com o grande violonista Thierry Moncheny; e o Corta-Jaca, de Chiquinha Gonzaga, interpretado pelo grupo ao lado da talentosa acordeonista Karine Huet. Ambos franceses e extremamente gentis em compartilharem sua tão sublime arte.

O disco conta também com dois choros de K-ximbinho, a saber: o conhecido Sonoroso e o choro Eu Quero é Sossego. O famoso Tico-tico no Fubá do grande chorão Zequinha de Abreu também marca presença no Bom Soar, bem como Cinco Companheiros de Pixinguinha e Carioquinha do mestre Waldir Azevedo. Todos os arranjos foram feitos pelo Chora Genésio, com exceção do arranjo de Amoroso que foi feito em parceria com Thierry Moncheny, em um dia bem tranquilo aos arredores de Paris.

E para fotografar esse momento tão importante para o grupo, decidimos fazer a gravação do nosso segundo disco de maneira analógica, à moda antiga, no intuito de registrar com fidelidade cada nota, cada som e silêncio, e cada ruído também, sem a maquiagem digital que a indústria fonográfica criou para extirpar os erros.

Não é à toa que o nome Bom Soar tem exatamente a mesma pronúncia que a palavra bonsoir em francês, que significa boa noite. Essa homofonia aponta para a proposta do disco quando comporta essa ambiguidade no título. Em outras palavras, além dessa mistura soar bem, ela também faz menção à noite, parceira tanto dos chorões brasileiros quanto dos trovadores europeus.

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Moderno Antiquário

O primeiro disco do Chora Genésio, intitulado Moderno Antiquário, visa estabelecer um diálogo entre os choros compostos no final do século XIX e no início do século XX e os choros feitos na contemporaneidade. Tendo como cenário o Brasil, o grupo Chora Genésio mostra neste disco, entre outras coisas, que o choro tem suas raízes estáveis, fato este que sustenta uma plena atividade de reinvenção contemporânea.

O Moderno Antiquário é composto de 10 choros e está
dividido em duas partes: 5 composições antigas, asmoderno-antiquario-capa quais já estão em domínio público; e 5 choros de compositores contemporâneos, que gentilmente cederam o direito de gravação. Representando as raízes temos: a singela, porém marcante música “Flor Amorosa” de Joaquim Antônio da Silva Callado (1848-1880), a qual simbolicamente é lembrada como a primeira composição já feita no gênero. “Não me Toques” de Zequinha de Abreu (1880-1935), compositor de “Tico tico no fubá”, uma das músicas mais conhecidas do gênero por todo o mundo. Ainda nesta fase pré-pixinguinha o disco conta também com duas composições do virtuoso compositor e pianista Ernesto Nazareth (1863-1934), quais sejam Apanhei-te Cavaquinho e Tenebroso, originalmente compostas para o piano. Por fim, “Lua Branca” de Chiquinha Gonzaga (1847-1935), obra também pianística, porém sempre presente nas rodas de choro. No que diz respeito as composições contemporâneas, temos: “Chorinho pra ele” de Hermeto Pascoal, choro já bem difundido entre os chorões. “Hospitalidade em Belo Horizonte” de Ian Guest, música composta em uma ocasião em que o compositor aguardava para ser atendido em um hospital da capital mineira. “Garoto Dominguinhos” de Gilvan de Oliveira, choro composto para o músico Dominguinhos, que participou da primeira gravação da música, com o compositor. “Quase Dia” de Humberto Junqueira e Marcelo Chiaretti, choro com forte caráter camerístico. Por fim, “Choro da Serra” de Paulo Freitas, composição inspirada na famosa Serra da Mantiqueira, que marca a divisa entre os estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Janeiro. Vale lembrar, que todos esses compositores contemporâneos se encontram em pleno exercício da música.

Nesse sentido, o Chora Genésio pretende com o disco Moderno Antiquário explorar dois impulsos aparentemente paradoxais existentes no ser humano: o desejo de repetir sensações agradáveis aos ouvidos e o desejo de experimentar novas sensações. Por acreditar que há resquícios do velho homem no homem moderno, que o grupo lança mão de um trabalho que está na fronteira entre o antigo e o novo, se posicionando como uma obra limítrofe entre um e outro.

Com este trabalho, o grupo convida o público a experimentar um pouco da atemporalidade desse gênero chamado choro bem como o leva também a refletir sobre a valorização e apreciação de nossa rica cultura brasileira.